Doce adolescência.
Embora me sentia muito triste com tudo que acontecia com a minha mãe, eu fui ficando mais livre porque tinha um trunfo na manga , ela bebia e não podia me cobrar nada e por diversas vezes discutindo abríamos esse tema.
Ela também revidava , mas acabava que ela ficava com a bebida dela e eu ficava vivendo a minha fase da adolescência livre , como todo mundo queria mais nem todo mundo podia.
Eu e Elis vivíamos juntas, a gente saía da escola ficava conversando na porta com alguns meninos ,sim porque até então e hoje ainda penso assim é melhor amizade com homem do que com mulher, a gente ia para casa almoçar, fazíamos a lição de casa(sempre curtimos muito estudar), no final da tarde íamos para o treino e ficávamos na quadra, e cá entre nós dava um show, fomos ficando boas mesmo, jogando em campeonatos no Sesc, na escola, e a nossa sala ficou temida por todos.
Procuramos um orientador que nos ajudou fora da escola, jogamos até contra o São Paulo.
Queria ver as meninas ter medo era jogar com a nossa sala, jogávamos muito bem mais também eramos cavalas ,como éramos chamadas.
Na casa da minha mãe havia nossa casa e a casa de traz era de uma tia minha , Tia Odete e seus filhos Mike e Bethy.
Mike sempre foi trabalhador e sendo quatro anos mais velho que eu, eu via nele alguém que eu admirava, ele andavam cheio de amigos que iriam visita-lo, ficávamos conversando por horas.
Fomos ficando mais amigos , então quando tinha quermesse ia Eu, Mike, Bethy e as vezes Monique também , na quermesse daquele tempo , era cheio de barracas típicas mais tinha música que eles colocavam as caixas de som pra fora.
Virava um baile a céu aberto.
Nos divertíamos muito , íamos para bailes da escola, festas, pracinhas.
Com o passar do tempo Mike começou a levar um garoto para casa, na época eles andavam de bicicleta, então quando dava problema os dois ficavam no quintal de casa, eu ficava em casa fazendo as coisas quando chegava da escola, mas dava uma espiada para ver aqueles dois e claro, eu como toda adolescente arruma tudo que era desculpa para ir la fora, colocar o lixo, ir na minha avó, fingir que ia na padaria, tantas e tantas coisas que no fundo nada mais era para olhar o tal menino que Mike estava levando lá todos os dias, até porque ele nunca tinha ido para os lugares que a gente frequentava.
Eu queria sair lá e conversar com eles como eu geralmente fazia com os amigos de Mike , mas não sei meu coração ficava diferente quando via aquele menino chamar no portão de casa.
Uma certa ocasião perguntei ao Mike quem era aquele menino e ele riu mas mudou de assunto e perguntou se eu não queria trabalhar com ele lá onde ele fazia um bico.
Dei risada por ele não me responder quem era mas fiquei com vergonha de voltar no assunto.
E disse:
_Quero sim, mas tenho que falar com a minha mãe.
Ele de imediato já disse que tudo bem ele conversava e com certeza ela ia deixar sim.
Eu tinha treze anos, na hora que ele me chamou veio um milhão de coisas na mente, medo por nunca ter trabalhado, quis até dizer que não,mas quando a gente cresce algumas coisas a gente quer comprar com o nosso próprio dinheiro.
Eu queria poder comprar roupas, sapatos da moda, porque minha mãe e minha tia me davam mas eu queria ter meu próprio dinheiro.
E foi nessa época que percebi que o meu posto na vida da minha tia cairia.