sexta-feira, 22 de março de 2013

8)Doce adolescência.


Doce adolescência.

Embora me sentia muito triste com tudo que acontecia com a minha mãe, eu fui ficando mais livre porque tinha um trunfo na manga , ela bebia e não podia me cobrar nada e por diversas vezes discutindo abríamos esse tema.
Ela também revidava , mas acabava que ela ficava com a bebida dela e eu ficava vivendo a minha fase da adolescência livre , como todo mundo queria mais nem todo mundo podia.
Eu e Elis vivíamos juntas, a gente saía da escola ficava conversando na porta com alguns meninos ,sim porque até então e hoje ainda penso assim é melhor amizade com homem do que com mulher, a gente ia para casa almoçar, fazíamos a lição de casa(sempre curtimos muito estudar), no final da tarde íamos para o treino e ficávamos na quadra, e cá entre nós dava um show, fomos ficando boas mesmo, jogando em campeonatos no Sesc, na escola, e a nossa sala ficou temida por todos.
Procuramos um orientador que nos ajudou fora da escola, jogamos até contra o São Paulo.
Queria ver as meninas ter medo era jogar com a nossa sala, jogávamos muito bem mais também eramos cavalas ,como éramos chamadas.
Na casa da minha mãe havia nossa casa e a casa de traz era de uma tia minha , Tia Odete e seus filhos Mike e Bethy.
Mike sempre foi trabalhador e sendo quatro anos mais velho que eu, eu via nele alguém que eu admirava, ele andavam cheio de amigos que iriam visita-lo, ficávamos conversando por horas.
Fomos ficando mais amigos , então quando tinha quermesse ia Eu, Mike, Bethy e as vezes Monique também , na quermesse daquele tempo , era cheio de barracas típicas mais tinha música que eles colocavam as caixas de som pra fora.
Virava um baile a céu aberto.
Nos divertíamos muito , íamos para bailes da escola, festas, pracinhas.
Com o passar do tempo Mike começou a levar um garoto para casa, na época eles andavam de bicicleta, então quando dava problema os dois ficavam no quintal de casa, eu ficava em casa fazendo as coisas quando chegava da escola, mas dava uma espiada para ver aqueles dois e claro, eu como toda adolescente arruma tudo que era desculpa para ir la fora, colocar o lixo, ir na minha avó, fingir que ia na padaria, tantas e tantas coisas que no fundo nada mais era para olhar o tal menino que Mike estava levando lá todos os dias, até porque ele nunca tinha ido para os lugares que a gente frequentava.
Eu queria sair lá e conversar com eles como eu geralmente fazia com os amigos de Mike , mas não sei meu coração ficava diferente quando via aquele menino chamar no portão de casa.
Uma certa ocasião perguntei ao Mike quem era aquele menino e ele riu mas mudou de assunto e perguntou se eu não queria trabalhar com ele lá onde ele fazia um bico.
Dei risada por ele não me responder quem era mas fiquei com vergonha de voltar no assunto.
E disse:
_Quero sim, mas tenho que falar com a minha mãe.
Ele de imediato já disse que tudo bem ele conversava e com certeza ela ia deixar sim.
Eu tinha treze anos, na hora que ele me chamou veio um milhão de coisas na mente, medo por nunca ter trabalhado, quis até dizer que não,mas quando a gente cresce algumas coisas a gente quer comprar com o nosso próprio dinheiro.
Eu queria poder comprar roupas, sapatos da moda, porque minha mãe e minha tia me davam mas eu queria ter meu próprio dinheiro.
E foi nessa época que percebi que o meu posto na vida da minha tia cairia.


7) Minha mãe Olga.



Minha mãe sempre cuidou de mim, é um fato e aproveito aqui a oportunidade de agradece-la por tudo que fez e faz por mim até hoje, mas na época de criança eu aguentei coisas que ficaram marcadas e digo que se não fosse Deus operar na minha vida, as marcas até hoje ainda existiriam.
Fiz apenas o que fala no livro Sagrado:

 Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará.
Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas. (Mateus 6:14,15)

Mamãe era uma pessoa de dupla personalidade, sempre foi fria, dificilmente dava um beijo ou dizia que me amava, eu também fui crescendo assim e hoje continuo com este bloqueio de não conseguir demonstrar meus sentimentos por pai, mãe, tia etc...
É ruim porque as vezes elas podem pensar que é porque não as amo, mas não é isso eu amo e nem consigo imaginar a minha vida sem nenhuma delas.
Com o passar do tempo fui atingindo minha adolescência, como todos sabem é uma fase muito complicada, é onde a gente pensa que pode tudo, que sair a noite é tudo de bom, festas, amizades, namoro, tudo isso é o máximo nesta fase, mas também é a fase de se sentir feia, gorda demais, cheia de espinhas, e tudo mais.
E diferentemente de muitas amigas minhas eu tive muita liberdade , claro no começo minha tia falava para ela tomar cuidado, que o mundo era perigoso, e até falava para ela vigiar com quem estava andando, pedia para ligar para mãe das minhas amigas.
Eu tive uma amiga , mais velha do que eu( e quando ela ler vai saber que é ela),e mais pra frente falarei mais delas todas,  chamava-se Elis, uma moça com 16 anos, dois anos mais velha do que eu, entrou na escola no meio do ano letivo e ficou na dela.
Fomos fazendo uma amizade, até que com o tempo não nos desgrudávamos, Elis era independente , a mãe dela era super zen, confiava nela plenamente, houve uma época em que eu dormia lá na casa dela direto e ela na minha.
E foi aí que minha tia mandou minha mãe ver essa amizade, que a Elis era mais velha e livre e que eu não podia me comparar com ela.
Minha mãe até conversou comigo, mas ela vivia preocupada com outras coisas, sinceridade nem sei até hoje o motivo que ela nunca se sentiu mãe, até houve uma época em que vi uma discussão dela com meu pai que ela dizia:
_Você sempre quis ter um menino, daí veio ela e acho que você não gostou muito.

Bem, eu briguei, chorei  falei um monte naquele dia, tive que exorcizar meus demônios, faz parte, afinal das contas não é nada agradável ver seus pais falando que preferiam um menino a ter você.

*Quando não quiser que uma criança fique com aquilo na cabeça, nem pense em discutir perto, somos terríveis.

E depois que mudei de personalidade completamente , não ouvia mais desaforo, falava quando eu queria e o que queria, mesmo sabendo que iria magoar, se tivesse que brigar eu brigava mesmo na porrada, eu gritava , eu chorava até de ódio.
Não mudei muito dessa época para cá não!
Mudei completamente porque a vida me fez isso, me machucou a ponto de eu não conseguir mais  controlar nem as palavras,elas eram naturais ao serem despejadas para quem as ouvia.
Porque eu tenho que medir palavras para não magoar ninguém quando eu ouvi tantas que me feriram e me marcaram?
Foi quando minha mãe e minha tia começaram a sair, ir para noite , viajar e beber muito.
Até então você acha que sair , beber é normal até o momento que isso foge do controle.
Na realidade eu até sei o motivo disso,mas acredito que isso seja muito sério para ser revelado aqui, tem pessoas que não tem estrutura para ler e entender sem condenar.
E o meu intuito neste livro é mostrar a minha vida e não expor a dos outros.
Passando um pouco eu vi minha mãe dependente de álcool e cigarros, começou a beber muito a princípio somente de final de semana se estendendo depois em dia de semana, de três a quatro garrafas de 51, ir trabalhar ruim, ou até nem voltar para casa .
Vi trazer homens para dentro de casa, eu a vi com homens em um bar próximo de casa, eu tinha vergonha, era minha mãe a pessoa que me teve e que me criou, eu me sentia angustiada e triste, nem queria acreditar.
Muitas vezes ela chegava agressiva e em certas ocasiões sem nenhum motivo me batia, até no rosto eu já tomei.
Era muito triste, muito mesmo.
Ficamos nessa história um bom tempo, eu até questionava Deus , porque comigo?
Já não basta o que sofri na minha infância, mas agora eu entendo que culpados somos nós mesmos.
Se somos vitoriosos é por nossa causa, e a derrota também não é diferente.
Temos que ser humildes para reconhecer isso.
Ela ficou um bom tempo sendo dependente de álcool.
Anos e anos.(Mais a frente contarei o fechamento dessa história)

quinta-feira, 21 de março de 2013

6) Não adianta.

(Capítulo 6)


Acordei cedo , minha avó me acompanhou na escola,  quando cheguei fui sentar no meu lugar como de costume, o menino que eu tinha arrumado encrenca era o Robson , sentava duas cadeiras na minha frente, me olhou mas ao contrário de todas as outras vezes não baixei as vistas e encarei.
Mesmo com tudo que tinha acontecido não iria voltar a ser aquela múmia que as pessoas faziam de mim o que queria, vão ter que me respeitar.
Na hora do intervalo foi o mesmo problema eu no canto com algumas meninas que andavam, mas que nunca manifestavam nenhuma atitude quando eles me zombavam, as coisas não mudaram muito , eles continuavam me enchendo mas nunca chegaram perto, porque mesmo depois de tudo que deu da última vez da encrenca eu ainda estava disposta a revidar a qualquer custo, iria ter que mostrar pra que eu vim.
Eu gostava de estudar mas senti que dentro de mim cresceu uma revolta que outrora não tinha, eu sempre fui uma pessoa doce, quieta, e muito tímida até porque pela educação dada em casa nem tinha como ser diferente.
O tempo foi passando e fui fazendo algumas amizades e passando de série em série , fui ficando boa nos jogos de futebol, hand e voley, com um tempo montamos um bom time, com meninos e meninas também até que um certo dia na quinta série este mesmo menino que já até tinha conversado comigo puxou a cadeira quando fui sentar e já viu , cai de bunda no chão e me vi ali parada sem reação, como ele podia ter feito aquilo comigo?
A sala inteira , alguns riam e outros assustados .
Eu me levantei ,limpei a calça na maior calma possível não pensei duas vezes, do jeito que eu peguei a cadeira eu dei nas costas dele, antes dele levantar eu dei um chute nele e saímos naquele dia na porrada mas desta vez eu não era mais inocente eu bati com toda força que saia de dentro de mim e antes de tudo acabar a professora nos pegou e eu já sábia no que ia dar,mas quer saber eu não estava nem aí.
Eu não estava me importando muito não, as pessoas ali já me conheciam, e sabiam que se não mexessem comigo não ia acontecer nada, eu era inofensiva até não mexer comigo.
Descemos para a sala da diretoria e vi que hoje o assunto seria justo, com os dois responsáveis na sala de aula pela briga, porque da outra vez eu paguei sozinha por ter ido para a diretoria e tomar uma suspensão, enquanto o responsável estava na escola e nem aí para o que aconteceu, bom já era um  começo.
Da primeira vez em que fui parar na sala da diretoria eu estava sozinha e tinha sete anos.
Hoje já podia me defender um pouco mais , estava com doze anos, não que eu fosse responsável pelas atitudes , mas não ia ficar assim para sempre.
Então quando a diretora entrou , o Robson já tomou a frente da conversa:
_Então Dona Priscila.
Ela já respondeu em um tom de repreensão;
_Fale quando eu perguntar porque quero ouvir as duas histórias.
Ela olhou para mim e me perguntou o que tinha acontecido.
_Sabe diretora, acho melhor a senhora perguntar para ele, porque diversas vezes tentei explicar e foram em vão as minhas explicações.
Ela se assustou com a resposta, mas fez o que eu sugeri, olhou para o Robson e acenou com as mãos para que ele falasse o que aconteceu em sala de aula.
E ele todo sem graça:
_Então eu nem fiz nada , ela que sentou e caiu fora da cadeira e já veio me dando cadeirada.
Por dentro eu queria voar no pescoço dele de tanto ódio, mas me mantive sentada enquanto ela nos observava:
E continuou:
_ Não é a primeira vez que temos problema com vocês, aliás com você em específico Robson(ainda bem que ela corrigiu a tempo o vocês porque eu só me defendia dos ataques que sofria) , porque a Anna até teve problema, mas como nunca mais ouvi nada a respeito dela então to começando a acreditar que o problema é com você , então como não quer me contar a verdade, vou eu direto na sala e pergunto a verdadeira história, caso ninguém queira entregar a verdade a sala inteira ficará com notas vermelhas.
Nesta época , nota vermelha reprovava mesmo não é como hoje que mesmo você não indo a aula você passa de ano, aquela época tinha que estudar e estudar muito.
Ele ficou todo vermelho e começou a explicar:
_É que sabe o que acontece, eu puxei a cadeira antes dela sentar para ela cair mesmo no chão,mas foi uma brincadeirinha!!!
É engraçado as coisas que faço com ela.

Dona Priscila:
_E você não tem vergonha de dizer isso?

_Tenho sim , mas é muito engraçado ver essa menina entrar e é natural as brincadeiras, e todos os meninos falam dela.
Eu fiquei quieta, só para ver a atitude da diretora.
_Natural?
Você ia gostar de alguém ficar azucrinando a sua vida toda hora, e toda hora te enchendo o saco.Chega uma hora que a pessoa explode, sei que você é uma criança mas não é idiota para saber que ela e nem ninguém gosta deste tipo de brincadeira.

A diretora pediu que eu saísse e voltasse para a aula, e deixou ele lá com ela , provavelmente fosse chamar os pais dele para ele ser mais educado.
Naquele dia em diante sempre tinha algumas pessoas que zombavam mas de fato eu ignorava , mas também respondia, comecei a ficar com a boca suja mesmo, qualquer um que viesse me encher dava logo uma para aprender.
E com isso fui criando uma imagem na escola, digo imagem a ponto de todo mundo ter medo de jogar no nosso time.
Nossa sala foi treinando e juntando umas garotas de Hand Ball que jogavam muito, eram encrenqueiras mas jogavam muito bem nesta época minha mãe já estava morando lá e consequentemente mudei para morar com ela.
E vou dizer que voltar a morar com ela fez com que ela virasse a mãe que ela nunca foi.
Mas não impediu de ser quem eu tinha me tornado naquela escola, alguns tinham medo e muitas vezes que acontecia da escola inteira saber que eu ia brigar e formar um grupo do lado de fora esperando o espetáculo, mesmo que não fosse verdade eu brigava , porque eu sabia que era importante pra mim manter uma fama de encrenqueira , me ajudava a não ser mais humilhada por ninguém.


quarta-feira, 20 de março de 2013

5) Aprendendo na raça!



No outro dia não fui para escola porque o papel nas mãos da minha avó no dia anterior era uma suspensão de um dia por mal comportamento.
Eu já estava mesmo com vergonha de aparecer lá nem liguei muito, mas pensei ao menos que fosse brincar um pouco, mas quando levantei minha avó já me disse:
_ Nada de rua hoje, é o dia me ajudando com as coisas de casa e quando não tiver mais nada para fazer você procura, varre quintal,rega as plantas é castigo por ficar brigando na escola.Teu pai já disse que vai te pegar se continuar agindo dessa forma.
Eu pensei:
_Meu pai?
Mesmo ele nunca tendo encostado a mão em mim, eu tinha medo dele , vai entender!!
Naquela época eu nem sei onde ele andava, porque ele chegava tarde e eu nem o via chegar do trabalho.

Meu pai nunca foi uma pessoa violenta, ele só prometia e ficava avisando, mas nunca apanhei mesmo dele,acredito por ele ter sido pai jovem demais, talvez nem quisesse, então ele não liga muito para isso, mesmo assim eu tinha medo .
Fiquei o dia todo ajudando nos afazeres domésticos, e quando foi umas 16 hs 00 perguntei mesmo sabendo que era em vão:
_Vó posso ir na Vó Camille?
O que eu te disse já, não é não, que menina teimosa.
Depois de uns trinta minutos ela voltou e me disse:
_Vai lá mas não demora.
Na verdade eu não queria bem ir na minha avó queria ficar um pouco na rua, ver gente e brincar, mas passei direto e fui lá, eram quatro casas depois da casa da minha avó , quando cheguei lá ela estava na cozinha, e na sala estava Simon e Monique.
Me chamaram para brincar com eles de pega vareta, que era o brinquedo Top do momento,na casa da minha Bisavó eram duas entradas , a da sala que era a primeira porta e a da cozinha, eu entrei e  fiquei brincando na sala,mas a minha bisavó estava na cozinha ;
Até que minha bisa entrou e me perguntou bem rude:
_Você já me viu hoje ?
Quem não te ensinou que quando chegar na casa de sua avó dar a benção , a minha bisa tinha um timbre de voz que só dela falar de longe já dava medo.
Os meus primos me olharam assustados por que eles já estavam acostumados a sofrer nas mãos dela, uma vez que eles moravam no quintal com ela.
Eu pedi a benção, mas como já tinha feito a merda.
Ela me disse:
_Vai ali na cozinha , pega milho e põe no canto da cozinha para aprender a ter respeito.
Eu sei que parece ser engraçado e até mentira mas as coisas eram assim, e funcionava tanto que fiz o que ela mandou.
Eu fiquei lá ajoelhada no milho pensando na vida.
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Calma, hoje eu sei o quanto cada lição que elas tentaram me mostrar na época foram úteis e primordiais para ser a pessoa que sou hoje.
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 Depois de um tempo ela me tirou do castigo e claro fiquei ouvindo um sermão de horas, mas sabe como é criança, fiquei brincando com os meus primos que já havia até esquecido o que tinha acontecido.

Quando foi umas 18 hs 00 fui embora , pedi a benção e sai.
Cheguei em casa minha avó já sabia o que eu tinha feito porque elas tinhas se falado no portão, mas não sei se por pena ela nem comentou nada , somente pediu que eu fosse tomar banho e jantar que amanhã ela teria que me acompanhar até a escola.
Quando ela me disse isso já me bateu um negócio no peito, uma angústia pensando em ter que enfrentar novamente aqueles meninos .
Quando minha mãe viu que minha avó tinha cortado meu cabelo daquele jeito teve discussões porque ela tinha feito aquilo,e eu pensei comigo agora eu vou embora daqui de vez,pelo contrário minha mãe nem podia falar nada , afinal quem era responsável por mim agora era minha avó, então ela acabou aceitando.

terça-feira, 19 de março de 2013

4) A revolta.


  
Com tudo que estava acontecendo e sem mais ninguém para recorrer, uma vez que já tinha tentado falar com minha avó, com meu primo , professores, e até minha mãe, mas o que eu achava era somente a mesma resposta:
_Ignora , depois eles cansam.
A verdade era que quanto mais eles humilhavam, mais eu me deprimia, e alimentava dentro de mim uma forma de me vingar.Pois é , eu tinha apenas sete anos e meio e já queria me vingar.
Porque até quando eu ia aguentar calada todas as humilhações que  diariamente  eu estava sofrendo e todos que eu tentava contar se omitiam.
Foi aí que encontrei uma forma, uma certa vez eu estava na fila da merenda , e um menino que estava atrás de mim chamou mais dois colegas e começaram a me chamar de  Maria Macho , eu já estava acostumada a apelidos maldosos então fingi que não ouvi, e ignorei porque esta era uma palavra que todos me diziam quando comecei a sofrer este tipo de humilhações, ele falou novamente e empurrou um dos amigos dele em cima de mim.
Até então enquanto não me tocavam eu  fingia  não ouvir.
Então não pensei duas vezes me virei e joguei meu prato no menino, e falei um belo de um palavrão para ele, até então se eu falasse um palavrão perto da minha avó ela me fazia pedir desculpas eu apanhava e ainda ficava de castigo.
Um único detalhe é que o prato no dia era sopa, e consequentemente estava hiper quente.
No momento não pensei em nada, somente em machucar, porque eu não posso machucar enquanto eu estou sendo humilhada por todos os meninos,e o pior minha dor não era somente física ela vem de dentro.
Ele veio para cima de mim, e na escola já viu ninguém separa porque quer ver o circo pegar fogo.
Eu não queria bater nele e sim uma forma de mostrar que a brincadeira para mim já tinha acabado faz tempo,então quando ele veio para cima eu dei um soco nele  , nem era tão forte porque nunca tinha batido em ninguém, nem mesmo nos meus primos que também eram criados rigorosamentee que por sinal também estava na hora do intervalo mas não me ajudavam, era olho por olho dente por dente,ao invés do menino que empurrou reagir pois ele havia começado ele caiu chorando.
Eu não fiquei satisfeita e continuei falando:
_Vem pra cima mané, você não é o bom quando está com seus amigos?
Foi quando veio o inspetor de alunos Ademir, viu a situação que estava acontecendo mas nem perguntou se a culpa era minha ou dele, me pegou pelo braço e me levou até a diretoria.
Eu senti medo na hora, porque já sabia as consequências que viriam.
O inspetor me disse que iria ligar para a minha avó e contar o que havia feito na hora do intervalo.
Eu naquele momento já sabia que apesar de estar somente revidando , eu chegaria em casa e apanharia, era fato.
Quando a diretora chegou até mim e perguntou o que tinha ocorrido no intervalo, mas a medida que eu ia tentando explicar ela somente balançava a cabeça fingindo concorda mas na realidade ela nem ouvia o que eu estava explicando.
Não a condeno porque quantas brigas ela não teve que separar na escola, e quantos meninos e meninas diziam a mesma coisa que eu , embora ela que mudasse de área uma vez que não faz o serviço dela por prazer, mas ela simplesmente pegou o livro negro e pediu que eu assinasse.

**Livro negro na minha escola eram três assinaturas que você podia ter, mais do que isso o aluno era convidado a se retirar da escola, o livro era para aquelas pessoas que viviam criando problemas, era uma forma de reprimir os que mais davam trabalho.**

Eu chorei, tentei explicar em vão, terminei de assinar e ela trouxe o meu material e pediu que eu aguardasse a minha avó chegar.
Até entrão eu pensei que só ligar já bastasse, mas fiquei ali nem sei por quanto tempo , parecia que as horas não passavam e morrendo de medo porque ja sábia o que me aguardava em casa também.
Minha avó chegou, eles pediram para que eu fosse lá fora (lá fora como assim eu não ia ter que ver o que eles iam falar para ela)mas eu sai.
Quando ela saiu com uma cara que dava medo, que eu lembro como se fosse hoje, me jurando!
Eu nem ousei dizer nada, mas vi que na mão dela havia um papel que provavelmente foi a diretora deu a ela, e minha avó não sabia ler, portanto a noite ela daria para minha tia ler ou meu pai.
Quando eu chegava da escola na minha avó eu almoçava, lavava a louça e antes que eu fizesse o meu dever de casa ela sempre deixava eu brincar na rua com os meus primos.
Neste dia ao entrar no portão ela tirou o chinelo e bateu, bateu tanto que nem me lembro como adormeci.
Algumas surras que tomei dela eu nunca esqueci, hoje sou grata e imagino que com ela as coisas eram piores.

segunda-feira, 18 de março de 2013

3) Adaptação sofrida.



Minha avó tentou ser para mim como minha mãe, diferente de outras avós ela me criou com rédeas curtas, me acordava bem cedo antes de ir a escola, quando terminava o banho me trocava e o café já estava na mesa, o cuscuz com leite, e rocambole com  leite e café e já me avisava :
_A louça do almoço é sua quando chegar.
Eu até entendo o lado dela, sempre teve problemas de saúde , mesmo sendo rígida queria o melhor para mim, e tinha medo como qualquer outra pessoa de acontecer algo, ou não ser bem criada e sofrer futuramente.
Entrei no primeiro ano,ela me levava para escola, como toda criança não era diferente eu chorava muitas vezes querendo voltar para casa , e no começo ela me trazia de volta.
Mas com o passar do tempo a gente se acostuma, e tem que ficar é inevitável.
Esta fase é muito difícil para uma criança, ver os pais ou quem as leva partir é muito ruim, o medo e a angústia da pessoa não voltar mais é complicado, naquele momento nossa cabecinha fica pensando mil e uma forma de escapar daquela situação.
Continuei sofrendo quando minha mãe ia embora, mas como tudo na vida me acostumei e fui seguindo minha vida  morando com minha avó, meu pai e minha tia.
Teve momentos que pensei que minha mãe não me queria por isso tomou esta atitude.
Na segunda série, minha avó que já não era muito boa de saúde  comunicou minha mãe que eu passaria a ir com o Otiniel para escola, uma vez que era somente atravessar a Avenida e como ele era mais velho do que eu pegaria na  minha mão e iríamos juntos e voltaríamos também, isso quando Monique não ia conosco.
Fui fazendo ao longo da escola alguns amigos, que ainda existem na minha vida, não com muito contato mas que serão inesquecíveis.
Sempre tive ao meu lado Elis, Lúcia, Mila e Cláudia, pessoas incríveis que corriam lado a lado, eram amigas mesmo, em situações boas e ruins, o que me fortaleceu mais para permanecer naquela escola que era terrívelmente opressiva.
Quando estava na transição da segunda para a terceira série aconteceu algo que contribuiu bastante na época para uma mudança de personalidade, eu que sempre fui uma pessoa tranquila, obediente, muitas vezes chorava em silêncio para não incomodar, desde daquela fase na escola veio a primeira mudança.
Peguei piolho(como toda criança) só que eu tinha muito cabelo, minha avó ficou desesperada por mim e por meus primos, chegou ir à escola pedir que a professora orientasse as mães para que diminuísse essa peste.
Tentou de todas as formas desde vinagre, remédios , sarnapim, várias tentativas que foram em vão, até que um belo dia ela me levou ao cabeleireiro e raspou minha cabeça.
É , imagine você sendo uma menina com cara de menino, foi isso que aconteceu.
Lembro como se fosse ontem a vergonha que senti de mim, de sair na rua, de brincar.
Mas naquela época eu tive que ir mesmo, era criança , dependia da decisão de outras pessoas, e com certeza minha avó jamais deixaria que eu parasse os estudos, tive que ser forte e continuar indo mesmo contra minha vontade.
Na escola tive dias de tormento , os meninos riam de mim , passavam perto e ficavam me humilhando,apontavam , vários apelidos, jogavam comida, balas enfim, começou o inferno na minha vida.
Eu sempre tive notas boas, na realidade porque o primeiro  D  que tirei apanhei de cinto da minha avó, e por isso sempre tive notas boas,a não ser em matemática mas quando minha tia chegava todos os dias estudava comigo para que eu fosse melhor neste quesito.(Que até hoje não sou boa )
Mal sabia ela que já não queria mais ir para escola porque sofria humilhações constantes e que por este motivo até nas aulas de Educação Física que eu mais gostava não estava querendo mais participar.
Muitas vezes quando meu primo fazia a mesma aula de Educação Física lá fora eu ia correndo falar com ele que os meninos ficavam me zuando mais ao longo do tempo ele fez amizades com os mesmos meninos e aderiu também a mesma maneira de me humilhar.
E não adiantava contar para alguém porque nunca acreditavam em mim mesmo.
As vezes quando se é criança, as brincadeiras são cruéis e te marcam para sempre, tanto é que me lembro de cada cena descrita.
Comentei com minha mãe, ela me disse:
_Isso é fase, vai passar e você nem tá tão feia assim.
Isso por que não era ela quem teve que se acostumar até mesmo ser paquerada por mulheres na rua pensando que eu era homem.
Até tentei comentar com a minha avó sobre isso , mas ela sempre me dizia que iria falar com as professoras e ficava por isso mesmo.
Então eu comecei a pensar que eu tinha que encontrar um jeito de mostrar que eu era uma pessoa e não um bicho como me tratavam.


sábado, 16 de março de 2013

2) A criança ela nunca esquece.



Minha infância como de qualquer criança sempre é marcada e os pais acreditam fielmente que não vamos nos lembrar mas tome cuidado a prova viva de que lembramos são as histórias que este livro vai contar e acredito que chocará muitas pessoas que ler.

Mamãe sempre foi jovem , bonita e pelo fato de eu nunca ter a visto com nenhum outro homem nem mesmo com o meu pai, pois nesta fase já não lembro de ter visto os dois namorarem, e quando perguntava a resposta era sempre parecida.

_Ah o seu pai e eu tivemos um lance de verão e acabou vindo você.
ou então:
_Eu e tua mãe nunca namoramos não, ficamos só aos beijos até que você nasceu.
Nunca me senti triste pelas histórias que eles contavam até porque hoje depois de anos eles ainda se falam, conversam e até brincam ,e se tem uma coisa que nunca faltou em minha vida foi amor, um amor de cada um diferente.
O amor não somente  pai e mãe , claro que quando a gente é criança, e acompanhamos o dia-a-dia de outras crianças  queremos ser iguais, ter uma mãe para nos repreender quando as nossas notas não forem boas , e ouvir delas :
_Seu pai ficará sabendo disso quando chegar em casa.

A sociedade as vezes é cruel, impõe para que seja uma família feliz, tem que ser constituída por pai, mãe e filhos.
Quando na verdade nada mais é do que ser feliz e ter paz e amor em nossas vidas.
Mas não é assim, minha mãe sempre foi uma pessoa diferente uma vez ela era carinhosa e do nada já estava explosiva (hoje conhecido como bipolaridade o que na minha época não existia).
Quando eu entrei no ensino fundamental minha mãe arrumou um emprego e eu fui morar com a minha avó enquanto a nossa casa não ficava pronta.
Então eu fiquei com ela, e minha mãe morando na casa da minha tia , na época elas me disseram que era melhor assim até  terminar a construção para que eu não perdesse o ano letivo.
Eu não podia falar nada , opinar jamais, era outra criação, se falasse alto perto de alguém então com certeza apanharia e ouviria um sermão de três dias, ou parar perto de dois adultos conversando ?
Eles já diziam:
_Perdeu alguma coisa aqui?
No começo foi difícil, eu sentia falta da minha mãe, queria estar ao lado dela, mesmo sabendo que o temperamento dela era bem complicado, mas era minha mãe.
A tia Cissa trabalhava o dia todo , deixando assim a responsabilidade de criar uma criança em cima da minha avó. E naquela época morava nesta rua , minha bisavó Camille , minha avó Francine, meu avô Sinho , meu pai Celso , minhas tias Cissa e Mirian, e os filhos da minha tia Mirian, Simon , Lucio , Otiniel e Monique.
A diferença de idade entre a gente era grande , o mais novo deles que era o Otiniel era de quatro anos de diferença para a minha , que estava com 6 anos na época e ele tinha 10.
Cada final de semana que minha mãe ia embora meu coração partia, queria entrar naquele ônibus e ir , mas a realidade no momento era outra.
Eu mesmo pequena tinha que entender que era para o  meu bem, e que estar ali era passageiro, eu tive que entender mas não era o que eu queria e quando se é criança o nosso querer não importa muito , mesmo que isso marque a nossa vida para sempre.
Eu tinha um vazio dentro de mim, e quantas vezes eu entrei na construção de casa, ficava chorando em silêncio não vendo a hora de tudo estar pronto e ela vir de vez e acabar com o meu sofrimento, eu vejo hoje que para se ter um filho hoje em dia temos que pensar muito para ele não sofrer e a gente não ser o protagonista do sofrimento.


1) É preciso mudar todo dia!



(Capítulo 1)

Eu sempre tive tudo, não por meu pai, porque apesar dele ser uma ótima pessoa, companheiro, a simpatia em pessoa, ele nunca me ajudou com nada, a não ser com sua amizade.
Não que eu me lembre de muito quando era pequena, já faz muuitooosss anos, mas vou tentar recordar e vou escrevendo.
Minha infância sempre foi muito feliz, quando era pequena olhava para a televisão, via algo que queria e bastava eu olhar para minha tia, fazia uma carinha de cachorro pidão, e o presente depois de alguns dias estava lá.
Ela é irmã do meu pai, Tia Cissa, atenciosa e dedicou a vida para me dar do bom e do melhor.
Lembro-me das minhas férias, ela chamava um primo e uma prima e ficávamos dias na praia, uma época em que problemas não existiam para mim, somente sorrir e me divertir lembro-me até do som do mar na frente do apartamento em que ficávamos.
A gente chegava bem cedinho o dia ainda não tinha clareado e eu:
_Tia, tia olha ali e apontava para o mar, eu quero nadar. (super empolgada)
E ela:
_Calma , vamos ajeitar as coisas no apartamento depois a gente vai, parece que nunca viu o mar.
De fato, sempre viajamos muito, graças as condições dela que sempre nos ajudou desde que eu me conheço por gente.
Saudades, muita saudade.
Tia Cissa sempre foi uma pessoa autoritária, inteligente ou talvez o espírito dela já seja de estar a frente de tudo que é feito, ela quem organizava os passeios, as pescas, as viagens e cá entre nós ela acabou ocupando o lugar do meu pai, que sempre pareceu ser mais um amigo do que meu pai e participava muito pouco dessa fase da minha vida.
Não tenho muitas lembranças dos meus pais juntos, era sempre eu, minha tia e minha mãe, e claro os primos que de costume iriam conosco o fato de ser filha única, então nunca iria sozinha, e hoje sei o quanto meu passado refletiu no que eu sou hoje.
Eles me ensinaram que mesmo tendo tudo que queria  era para dar valor, que não podia humilhar ninguém por ter melhores condições que algumas pessoas e que tudo é passageiro.
Às vezes a vida da gente nos surpreende mesmo, outras coisas nunca mudam.
Nas reuniões de escola, difícil me lembrar de uma em que meu pai apareceu, vou tentar falar um pouco individualmente de cada um nessa história, peço desculpas pela memória curta, mas tentarei ser detalhista com os que lembrarem.
Vamos embarcar nessa antiga história, mas que não tem somente alegria, talvez o leitor (a) até se assuste com algumas revelações.

Sinopse de "O diário de Anna".




Baseada em fatos reais nesse livro você vai ver uma criança que teve amor,

carinho mas que devido a muito preconceito foi crescendo e desenvolvendo uma  

personalidade forte,mas que amou, sorriu,sofreu chorou e sonhou demais, embarque 

nessa história de Anna e conheça um pouco desse jovem sonhadora.