Minha
infância como de qualquer criança sempre é marcada e os pais acreditam
fielmente que não vamos nos lembrar mas tome cuidado a prova viva de que
lembramos são as histórias que este livro vai contar e acredito que chocará
muitas pessoas que ler.
Mamãe
sempre foi jovem , bonita e pelo fato de eu nunca ter a visto com nenhum outro
homem nem mesmo com o meu pai, pois nesta fase já não lembro de ter visto os
dois namorarem, e quando perguntava a resposta era sempre parecida.
_Ah o
seu pai e eu tivemos um lance de verão e acabou vindo você.
ou
então:
_Eu e
tua mãe nunca namoramos não, ficamos só aos beijos até que você nasceu.
Nunca
me senti triste pelas histórias que eles contavam até porque hoje depois de
anos eles ainda se falam, conversam e até brincam ,e se tem uma coisa que nunca
faltou em minha vida foi amor, um amor de cada um diferente.
O
amor não somente pai e mãe , claro que
quando a gente é criança, e acompanhamos o dia-a-dia de outras crianças queremos ser iguais, ter uma mãe para nos
repreender quando as nossas notas não forem boas , e ouvir delas :
_Seu
pai ficará sabendo disso quando chegar em casa.
A
sociedade as vezes é cruel, impõe para que seja uma família feliz, tem que ser
constituída por pai, mãe e filhos.
Quando
na verdade nada mais é do que ser feliz e ter paz e amor em nossas vidas.
Mas
não é assim, minha mãe sempre foi uma pessoa diferente uma vez ela era
carinhosa e do nada já estava explosiva (hoje conhecido como bipolaridade o que
na minha época não existia).
Quando
eu entrei no ensino fundamental minha mãe arrumou um emprego e eu fui morar com
a minha avó enquanto a nossa casa não ficava pronta.
Então
eu fiquei com ela, e minha mãe morando na casa da minha tia , na época elas me
disseram que era melhor assim até
terminar a construção para que eu não perdesse o ano letivo.
Eu
não podia falar nada , opinar jamais, era outra criação, se falasse alto perto
de alguém então com certeza apanharia e ouviria um sermão de três dias, ou
parar perto de dois adultos conversando ?
Eles
já diziam:
_Perdeu
alguma coisa aqui?
No
começo foi difícil, eu sentia falta da minha mãe, queria estar ao lado dela,
mesmo sabendo que o temperamento dela era bem complicado, mas era minha mãe.
A tia
Cissa trabalhava o dia todo , deixando assim a responsabilidade de criar uma
criança em cima da minha avó. E naquela época morava nesta rua , minha bisavó
Camille , minha avó Francine, meu avô Sinho , meu pai Celso , minhas tias Cissa
e Mirian, e os filhos da minha tia Mirian, Simon , Lucio , Otiniel e Monique.
A
diferença de idade entre a gente era grande , o mais novo deles que era o
Otiniel era de quatro anos de diferença para a minha , que estava com 6 anos na
época e ele tinha 10.
Cada
final de semana que minha mãe ia embora meu coração partia, queria entrar
naquele ônibus e ir , mas a realidade no momento era outra.
Eu
mesmo pequena tinha que entender que era para o
meu bem, e que estar ali era passageiro, eu tive que entender mas não
era o que eu queria e quando se é criança o nosso querer não importa muito ,
mesmo que isso marque a nossa vida para sempre.
Eu
tinha um vazio dentro de mim, e quantas vezes eu entrei na construção de casa,
ficava chorando em silêncio não vendo a hora de tudo estar pronto e ela vir de
vez e acabar com o meu sofrimento, eu vejo hoje que para se ter um filho hoje
em dia temos que pensar muito para ele não sofrer e a gente não ser o
protagonista do sofrimento.
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