sábado, 16 de março de 2013

2) A criança ela nunca esquece.



Minha infância como de qualquer criança sempre é marcada e os pais acreditam fielmente que não vamos nos lembrar mas tome cuidado a prova viva de que lembramos são as histórias que este livro vai contar e acredito que chocará muitas pessoas que ler.

Mamãe sempre foi jovem , bonita e pelo fato de eu nunca ter a visto com nenhum outro homem nem mesmo com o meu pai, pois nesta fase já não lembro de ter visto os dois namorarem, e quando perguntava a resposta era sempre parecida.

_Ah o seu pai e eu tivemos um lance de verão e acabou vindo você.
ou então:
_Eu e tua mãe nunca namoramos não, ficamos só aos beijos até que você nasceu.
Nunca me senti triste pelas histórias que eles contavam até porque hoje depois de anos eles ainda se falam, conversam e até brincam ,e se tem uma coisa que nunca faltou em minha vida foi amor, um amor de cada um diferente.
O amor não somente  pai e mãe , claro que quando a gente é criança, e acompanhamos o dia-a-dia de outras crianças  queremos ser iguais, ter uma mãe para nos repreender quando as nossas notas não forem boas , e ouvir delas :
_Seu pai ficará sabendo disso quando chegar em casa.

A sociedade as vezes é cruel, impõe para que seja uma família feliz, tem que ser constituída por pai, mãe e filhos.
Quando na verdade nada mais é do que ser feliz e ter paz e amor em nossas vidas.
Mas não é assim, minha mãe sempre foi uma pessoa diferente uma vez ela era carinhosa e do nada já estava explosiva (hoje conhecido como bipolaridade o que na minha época não existia).
Quando eu entrei no ensino fundamental minha mãe arrumou um emprego e eu fui morar com a minha avó enquanto a nossa casa não ficava pronta.
Então eu fiquei com ela, e minha mãe morando na casa da minha tia , na época elas me disseram que era melhor assim até  terminar a construção para que eu não perdesse o ano letivo.
Eu não podia falar nada , opinar jamais, era outra criação, se falasse alto perto de alguém então com certeza apanharia e ouviria um sermão de três dias, ou parar perto de dois adultos conversando ?
Eles já diziam:
_Perdeu alguma coisa aqui?
No começo foi difícil, eu sentia falta da minha mãe, queria estar ao lado dela, mesmo sabendo que o temperamento dela era bem complicado, mas era minha mãe.
A tia Cissa trabalhava o dia todo , deixando assim a responsabilidade de criar uma criança em cima da minha avó. E naquela época morava nesta rua , minha bisavó Camille , minha avó Francine, meu avô Sinho , meu pai Celso , minhas tias Cissa e Mirian, e os filhos da minha tia Mirian, Simon , Lucio , Otiniel e Monique.
A diferença de idade entre a gente era grande , o mais novo deles que era o Otiniel era de quatro anos de diferença para a minha , que estava com 6 anos na época e ele tinha 10.
Cada final de semana que minha mãe ia embora meu coração partia, queria entrar naquele ônibus e ir , mas a realidade no momento era outra.
Eu mesmo pequena tinha que entender que era para o  meu bem, e que estar ali era passageiro, eu tive que entender mas não era o que eu queria e quando se é criança o nosso querer não importa muito , mesmo que isso marque a nossa vida para sempre.
Eu tinha um vazio dentro de mim, e quantas vezes eu entrei na construção de casa, ficava chorando em silêncio não vendo a hora de tudo estar pronto e ela vir de vez e acabar com o meu sofrimento, eu vejo hoje que para se ter um filho hoje em dia temos que pensar muito para ele não sofrer e a gente não ser o protagonista do sofrimento.


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