sexta-feira, 22 de março de 2013

7) Minha mãe Olga.



Minha mãe sempre cuidou de mim, é um fato e aproveito aqui a oportunidade de agradece-la por tudo que fez e faz por mim até hoje, mas na época de criança eu aguentei coisas que ficaram marcadas e digo que se não fosse Deus operar na minha vida, as marcas até hoje ainda existiriam.
Fiz apenas o que fala no livro Sagrado:

 Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará.
Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas. (Mateus 6:14,15)

Mamãe era uma pessoa de dupla personalidade, sempre foi fria, dificilmente dava um beijo ou dizia que me amava, eu também fui crescendo assim e hoje continuo com este bloqueio de não conseguir demonstrar meus sentimentos por pai, mãe, tia etc...
É ruim porque as vezes elas podem pensar que é porque não as amo, mas não é isso eu amo e nem consigo imaginar a minha vida sem nenhuma delas.
Com o passar do tempo fui atingindo minha adolescência, como todos sabem é uma fase muito complicada, é onde a gente pensa que pode tudo, que sair a noite é tudo de bom, festas, amizades, namoro, tudo isso é o máximo nesta fase, mas também é a fase de se sentir feia, gorda demais, cheia de espinhas, e tudo mais.
E diferentemente de muitas amigas minhas eu tive muita liberdade , claro no começo minha tia falava para ela tomar cuidado, que o mundo era perigoso, e até falava para ela vigiar com quem estava andando, pedia para ligar para mãe das minhas amigas.
Eu tive uma amiga , mais velha do que eu( e quando ela ler vai saber que é ela),e mais pra frente falarei mais delas todas,  chamava-se Elis, uma moça com 16 anos, dois anos mais velha do que eu, entrou na escola no meio do ano letivo e ficou na dela.
Fomos fazendo uma amizade, até que com o tempo não nos desgrudávamos, Elis era independente , a mãe dela era super zen, confiava nela plenamente, houve uma época em que eu dormia lá na casa dela direto e ela na minha.
E foi aí que minha tia mandou minha mãe ver essa amizade, que a Elis era mais velha e livre e que eu não podia me comparar com ela.
Minha mãe até conversou comigo, mas ela vivia preocupada com outras coisas, sinceridade nem sei até hoje o motivo que ela nunca se sentiu mãe, até houve uma época em que vi uma discussão dela com meu pai que ela dizia:
_Você sempre quis ter um menino, daí veio ela e acho que você não gostou muito.

Bem, eu briguei, chorei  falei um monte naquele dia, tive que exorcizar meus demônios, faz parte, afinal das contas não é nada agradável ver seus pais falando que preferiam um menino a ter você.

*Quando não quiser que uma criança fique com aquilo na cabeça, nem pense em discutir perto, somos terríveis.

E depois que mudei de personalidade completamente , não ouvia mais desaforo, falava quando eu queria e o que queria, mesmo sabendo que iria magoar, se tivesse que brigar eu brigava mesmo na porrada, eu gritava , eu chorava até de ódio.
Não mudei muito dessa época para cá não!
Mudei completamente porque a vida me fez isso, me machucou a ponto de eu não conseguir mais  controlar nem as palavras,elas eram naturais ao serem despejadas para quem as ouvia.
Porque eu tenho que medir palavras para não magoar ninguém quando eu ouvi tantas que me feriram e me marcaram?
Foi quando minha mãe e minha tia começaram a sair, ir para noite , viajar e beber muito.
Até então você acha que sair , beber é normal até o momento que isso foge do controle.
Na realidade eu até sei o motivo disso,mas acredito que isso seja muito sério para ser revelado aqui, tem pessoas que não tem estrutura para ler e entender sem condenar.
E o meu intuito neste livro é mostrar a minha vida e não expor a dos outros.
Passando um pouco eu vi minha mãe dependente de álcool e cigarros, começou a beber muito a princípio somente de final de semana se estendendo depois em dia de semana, de três a quatro garrafas de 51, ir trabalhar ruim, ou até nem voltar para casa .
Vi trazer homens para dentro de casa, eu a vi com homens em um bar próximo de casa, eu tinha vergonha, era minha mãe a pessoa que me teve e que me criou, eu me sentia angustiada e triste, nem queria acreditar.
Muitas vezes ela chegava agressiva e em certas ocasiões sem nenhum motivo me batia, até no rosto eu já tomei.
Era muito triste, muito mesmo.
Ficamos nessa história um bom tempo, eu até questionava Deus , porque comigo?
Já não basta o que sofri na minha infância, mas agora eu entendo que culpados somos nós mesmos.
Se somos vitoriosos é por nossa causa, e a derrota também não é diferente.
Temos que ser humildes para reconhecer isso.
Ela ficou um bom tempo sendo dependente de álcool.
Anos e anos.(Mais a frente contarei o fechamento dessa história)

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