terça-feira, 19 de março de 2013

4) A revolta.


  
Com tudo que estava acontecendo e sem mais ninguém para recorrer, uma vez que já tinha tentado falar com minha avó, com meu primo , professores, e até minha mãe, mas o que eu achava era somente a mesma resposta:
_Ignora , depois eles cansam.
A verdade era que quanto mais eles humilhavam, mais eu me deprimia, e alimentava dentro de mim uma forma de me vingar.Pois é , eu tinha apenas sete anos e meio e já queria me vingar.
Porque até quando eu ia aguentar calada todas as humilhações que  diariamente  eu estava sofrendo e todos que eu tentava contar se omitiam.
Foi aí que encontrei uma forma, uma certa vez eu estava na fila da merenda , e um menino que estava atrás de mim chamou mais dois colegas e começaram a me chamar de  Maria Macho , eu já estava acostumada a apelidos maldosos então fingi que não ouvi, e ignorei porque esta era uma palavra que todos me diziam quando comecei a sofrer este tipo de humilhações, ele falou novamente e empurrou um dos amigos dele em cima de mim.
Até então enquanto não me tocavam eu  fingia  não ouvir.
Então não pensei duas vezes me virei e joguei meu prato no menino, e falei um belo de um palavrão para ele, até então se eu falasse um palavrão perto da minha avó ela me fazia pedir desculpas eu apanhava e ainda ficava de castigo.
Um único detalhe é que o prato no dia era sopa, e consequentemente estava hiper quente.
No momento não pensei em nada, somente em machucar, porque eu não posso machucar enquanto eu estou sendo humilhada por todos os meninos,e o pior minha dor não era somente física ela vem de dentro.
Ele veio para cima de mim, e na escola já viu ninguém separa porque quer ver o circo pegar fogo.
Eu não queria bater nele e sim uma forma de mostrar que a brincadeira para mim já tinha acabado faz tempo,então quando ele veio para cima eu dei um soco nele  , nem era tão forte porque nunca tinha batido em ninguém, nem mesmo nos meus primos que também eram criados rigorosamentee que por sinal também estava na hora do intervalo mas não me ajudavam, era olho por olho dente por dente,ao invés do menino que empurrou reagir pois ele havia começado ele caiu chorando.
Eu não fiquei satisfeita e continuei falando:
_Vem pra cima mané, você não é o bom quando está com seus amigos?
Foi quando veio o inspetor de alunos Ademir, viu a situação que estava acontecendo mas nem perguntou se a culpa era minha ou dele, me pegou pelo braço e me levou até a diretoria.
Eu senti medo na hora, porque já sabia as consequências que viriam.
O inspetor me disse que iria ligar para a minha avó e contar o que havia feito na hora do intervalo.
Eu naquele momento já sabia que apesar de estar somente revidando , eu chegaria em casa e apanharia, era fato.
Quando a diretora chegou até mim e perguntou o que tinha ocorrido no intervalo, mas a medida que eu ia tentando explicar ela somente balançava a cabeça fingindo concorda mas na realidade ela nem ouvia o que eu estava explicando.
Não a condeno porque quantas brigas ela não teve que separar na escola, e quantos meninos e meninas diziam a mesma coisa que eu , embora ela que mudasse de área uma vez que não faz o serviço dela por prazer, mas ela simplesmente pegou o livro negro e pediu que eu assinasse.

**Livro negro na minha escola eram três assinaturas que você podia ter, mais do que isso o aluno era convidado a se retirar da escola, o livro era para aquelas pessoas que viviam criando problemas, era uma forma de reprimir os que mais davam trabalho.**

Eu chorei, tentei explicar em vão, terminei de assinar e ela trouxe o meu material e pediu que eu aguardasse a minha avó chegar.
Até entrão eu pensei que só ligar já bastasse, mas fiquei ali nem sei por quanto tempo , parecia que as horas não passavam e morrendo de medo porque ja sábia o que me aguardava em casa também.
Minha avó chegou, eles pediram para que eu fosse lá fora (lá fora como assim eu não ia ter que ver o que eles iam falar para ela)mas eu sai.
Quando ela saiu com uma cara que dava medo, que eu lembro como se fosse hoje, me jurando!
Eu nem ousei dizer nada, mas vi que na mão dela havia um papel que provavelmente foi a diretora deu a ela, e minha avó não sabia ler, portanto a noite ela daria para minha tia ler ou meu pai.
Quando eu chegava da escola na minha avó eu almoçava, lavava a louça e antes que eu fizesse o meu dever de casa ela sempre deixava eu brincar na rua com os meus primos.
Neste dia ao entrar no portão ela tirou o chinelo e bateu, bateu tanto que nem me lembro como adormeci.
Algumas surras que tomei dela eu nunca esqueci, hoje sou grata e imagino que com ela as coisas eram piores.

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