Com
tudo que estava acontecendo e sem mais ninguém para recorrer, uma vez que já
tinha tentado falar com minha avó, com meu primo , professores, e até minha
mãe, mas o que eu achava era somente a mesma resposta:
_Ignora
, depois eles cansam.
A
verdade era que quanto mais eles humilhavam, mais eu me deprimia, e alimentava
dentro de mim uma forma de me vingar.Pois é , eu tinha apenas sete anos e meio
e já queria me vingar.
Porque
até quando eu ia aguentar calada todas as humilhações que diariamente
eu estava sofrendo e todos que eu tentava contar se omitiam.
Foi
aí que encontrei uma forma, uma certa vez eu estava na fila da merenda , e um
menino que estava atrás de mim chamou mais dois colegas e começaram a me chamar
de Maria Macho , eu já estava acostumada
a apelidos maldosos então fingi que não ouvi, e ignorei porque esta era uma
palavra que todos me diziam quando comecei a sofrer este tipo de humilhações, ele
falou novamente e empurrou um dos amigos dele em cima de mim.
Até
então enquanto não me tocavam eu
fingia não ouvir.
Então
não pensei duas vezes me virei e joguei meu prato no menino, e falei um belo de
um palavrão para ele, até então se eu falasse um palavrão perto da minha avó
ela me fazia pedir desculpas eu apanhava e ainda ficava de castigo.
Um
único detalhe é que o prato no dia era sopa, e consequentemente estava hiper
quente.
No
momento não pensei em nada, somente em machucar, porque eu não posso machucar
enquanto eu estou sendo humilhada por todos os meninos,e o pior minha dor não
era somente física ela vem de dentro.
Ele
veio para cima de mim, e na escola já viu ninguém separa porque quer ver o
circo pegar fogo.
Eu
não queria bater nele e sim uma forma de mostrar que a brincadeira para mim já
tinha acabado faz tempo,então quando ele veio para cima eu dei um soco
nele , nem era tão forte porque nunca
tinha batido em ninguém, nem mesmo nos meus primos que também eram criados
rigorosamentee que por sinal também estava na hora do intervalo mas não me
ajudavam, era olho por olho dente por dente,ao invés do menino que empurrou
reagir pois ele havia começado ele caiu chorando.
Eu
não fiquei satisfeita e continuei falando:
_Vem
pra cima mané, você não é o bom quando está com seus amigos?
Foi quando
veio o inspetor de alunos Ademir, viu a situação que estava acontecendo mas nem
perguntou se a culpa era minha ou dele, me pegou pelo braço e me levou até a
diretoria.
Eu
senti medo na hora, porque já sabia as consequências que viriam.
O inspetor me disse que iria ligar para a minha avó e contar o que havia feito
na hora do intervalo.
Eu
naquele momento já sabia que apesar de estar somente revidando , eu chegaria em
casa e apanharia, era fato.
Quando
a diretora chegou até mim e perguntou o que tinha ocorrido no intervalo, mas a
medida que eu ia tentando explicar ela somente balançava a cabeça fingindo
concorda mas na realidade ela nem ouvia o que eu estava explicando.
Não a
condeno porque quantas brigas ela não teve que separar na escola, e quantos
meninos e meninas diziam a mesma coisa que eu , embora ela que mudasse de área
uma vez que não faz o serviço dela por prazer, mas ela simplesmente pegou o
livro negro e pediu que eu assinasse.
Eu
chorei, tentei explicar em vão, terminei de assinar e ela trouxe o meu material
e pediu que eu aguardasse a minha avó chegar.
Até
entrão eu pensei que só ligar já bastasse, mas fiquei ali nem sei por quanto
tempo , parecia que as horas não passavam e morrendo de medo porque ja sábia o
que me aguardava em casa também.
Minha
avó chegou, eles pediram para que eu fosse lá fora (lá fora como assim eu não
ia ter que ver o que eles iam falar para ela)mas eu sai.
Quando
ela saiu com uma cara que dava medo, que eu lembro como se fosse hoje, me jurando!
Eu
nem ousei dizer nada, mas vi que na mão dela havia um papel que provavelmente
foi a diretora deu a ela, e minha avó não sabia ler, portanto a noite ela daria
para minha tia ler ou meu pai.
Quando
eu chegava da escola na minha avó eu almoçava, lavava a louça e antes que eu
fizesse o meu dever de casa ela sempre deixava eu brincar na rua com os meus
primos.
Neste
dia ao entrar no portão ela tirou o chinelo e bateu, bateu tanto que nem me
lembro como adormeci.
Algumas
surras que tomei dela eu nunca esqueci, hoje sou grata e imagino que com ela as
coisas eram piores.
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