(Capítulo
6)
Acordei
cedo , minha avó me acompanhou na escola,
quando cheguei fui sentar no meu lugar como de costume, o menino que eu
tinha arrumado encrenca era o Robson , sentava duas cadeiras na minha frente,
me olhou mas ao contrário de todas as outras vezes não baixei as vistas e
encarei.
Mesmo
com tudo que tinha acontecido não iria voltar a ser aquela múmia que as pessoas
faziam de mim o que queria, vão ter que me respeitar.
Na
hora do intervalo foi o mesmo problema eu no canto com algumas meninas que
andavam, mas que nunca manifestavam nenhuma atitude quando eles me zombavam, as
coisas não mudaram muito , eles continuavam me enchendo mas nunca chegaram perto,
porque mesmo depois de tudo que deu da última vez da encrenca eu ainda estava
disposta a revidar a qualquer custo, iria ter que mostrar pra que eu vim.
Eu
gostava de estudar mas senti que dentro de mim cresceu uma revolta que outrora
não tinha, eu sempre fui uma pessoa doce, quieta, e muito tímida até porque
pela educação dada em casa nem tinha como ser diferente.
O
tempo foi passando e fui fazendo algumas amizades e passando de série em série
, fui ficando boa nos jogos de futebol, hand e voley, com um tempo montamos um
bom time, com meninos e meninas também até que um certo dia na quinta série
este mesmo menino que já até tinha conversado comigo puxou a cadeira quando fui
sentar e já viu , cai de bunda no chão e me vi ali parada sem reação, como ele
podia ter feito aquilo comigo?
A
sala inteira , alguns riam e outros assustados .
Eu me
levantei ,limpei a calça na maior calma possível não pensei duas vezes, do
jeito que eu peguei a cadeira eu dei nas costas dele, antes dele levantar eu
dei um chute nele e saímos naquele dia na porrada mas desta vez eu não era mais
inocente eu bati com toda força que saia de dentro de mim e antes de tudo
acabar a professora nos pegou e eu já sábia no que ia dar,mas quer saber eu não
estava nem aí.
Eu
não estava me importando muito não, as pessoas ali já me conheciam, e sabiam
que se não mexessem comigo não ia acontecer nada, eu era inofensiva até não
mexer comigo.
Descemos
para a sala da diretoria e vi que hoje o assunto seria justo, com os dois
responsáveis na sala de aula pela briga, porque da outra vez eu paguei sozinha
por ter ido para a diretoria e tomar uma suspensão, enquanto o responsável
estava na escola e nem aí para o que aconteceu, bom já era um começo.
Da
primeira vez em que fui parar na sala da diretoria eu estava sozinha e tinha
sete anos.
Hoje
já podia me defender um pouco mais , estava com doze anos, não que eu fosse
responsável pelas atitudes , mas não ia ficar assim para sempre.
Então
quando a diretora entrou , o Robson já tomou a frente da conversa:
_Então
Dona Priscila.
Ela
já respondeu em um tom de repreensão;
_Fale
quando eu perguntar porque quero ouvir as duas histórias.
Ela
olhou para mim e me perguntou o que tinha acontecido.
_Sabe
diretora, acho melhor a senhora perguntar para ele, porque diversas vezes
tentei explicar e foram em vão as minhas explicações.
Ela
se assustou com a resposta, mas fez o que eu sugeri, olhou para o Robson e
acenou com as mãos para que ele falasse o que aconteceu em sala de aula.
E ele
todo sem graça:
_Então
eu nem fiz nada , ela que sentou e caiu fora da cadeira e já veio me dando
cadeirada.
Por
dentro eu queria voar no pescoço dele de tanto ódio, mas me mantive sentada
enquanto ela nos observava:
E
continuou:
_ Não
é a primeira vez que temos problema com vocês, aliás com você em específico
Robson(ainda bem que ela corrigiu a tempo o vocês porque eu só me defendia dos
ataques que sofria) , porque a Anna até teve problema, mas como nunca mais ouvi
nada a respeito dela então to começando a acreditar que o problema é com você ,
então como não quer me contar a verdade, vou eu direto na sala e pergunto a verdadeira
história, caso ninguém queira entregar a verdade a sala inteira ficará com
notas vermelhas.
Nesta
época , nota vermelha reprovava mesmo não é como hoje que mesmo você não indo a
aula você passa de ano, aquela época tinha que estudar e estudar muito.
Ele
ficou todo vermelho e começou a explicar:
_É
que sabe o que acontece, eu puxei a cadeira antes dela sentar para ela cair
mesmo no chão,mas foi uma brincadeirinha!!!
É
engraçado as coisas que faço com ela.
Dona
Priscila:
_E
você não tem vergonha de dizer isso?
_Tenho
sim , mas é muito engraçado ver essa menina entrar e é natural as brincadeiras,
e todos os meninos falam dela.
Eu
fiquei quieta, só para ver a atitude da diretora.
_Natural?
Você
ia gostar de alguém ficar azucrinando a sua vida toda hora, e toda hora te
enchendo o saco.Chega uma hora que a pessoa explode, sei que você é uma criança
mas não é idiota para saber que ela e nem ninguém gosta deste tipo de
brincadeira.
A
diretora pediu que eu saísse e voltasse para a aula, e deixou ele lá com ela ,
provavelmente fosse chamar os pais dele para ele ser mais educado.
Naquele
dia em diante sempre tinha algumas pessoas que zombavam mas de fato eu ignorava
, mas também respondia, comecei a ficar com a boca suja mesmo, qualquer um que
viesse me encher dava logo uma para aprender.
E com
isso fui criando uma imagem na escola, digo imagem a ponto de todo mundo ter
medo de jogar no nosso time.
Nossa
sala foi treinando e juntando umas garotas de Hand Ball que jogavam muito, eram
encrenqueiras mas jogavam muito bem nesta época minha mãe já estava morando lá
e consequentemente mudei para morar com ela.
E vou
dizer que voltar a morar com ela fez com que ela virasse a mãe que ela nunca
foi.
Mas
não impediu de ser quem eu tinha me tornado naquela escola, alguns tinham medo
e muitas vezes que acontecia da escola inteira saber que eu ia brigar e formar
um grupo do lado de fora esperando o espetáculo, mesmo que não fosse verdade eu
brigava , porque eu sabia que era importante pra mim manter uma fama de
encrenqueira , me ajudava a não ser mais humilhada por ninguém.
PARABÉNS PELA ESCRITORA QUE VOCÊ SE TORNOU!!!
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