quinta-feira, 21 de março de 2013

6) Não adianta.

(Capítulo 6)


Acordei cedo , minha avó me acompanhou na escola,  quando cheguei fui sentar no meu lugar como de costume, o menino que eu tinha arrumado encrenca era o Robson , sentava duas cadeiras na minha frente, me olhou mas ao contrário de todas as outras vezes não baixei as vistas e encarei.
Mesmo com tudo que tinha acontecido não iria voltar a ser aquela múmia que as pessoas faziam de mim o que queria, vão ter que me respeitar.
Na hora do intervalo foi o mesmo problema eu no canto com algumas meninas que andavam, mas que nunca manifestavam nenhuma atitude quando eles me zombavam, as coisas não mudaram muito , eles continuavam me enchendo mas nunca chegaram perto, porque mesmo depois de tudo que deu da última vez da encrenca eu ainda estava disposta a revidar a qualquer custo, iria ter que mostrar pra que eu vim.
Eu gostava de estudar mas senti que dentro de mim cresceu uma revolta que outrora não tinha, eu sempre fui uma pessoa doce, quieta, e muito tímida até porque pela educação dada em casa nem tinha como ser diferente.
O tempo foi passando e fui fazendo algumas amizades e passando de série em série , fui ficando boa nos jogos de futebol, hand e voley, com um tempo montamos um bom time, com meninos e meninas também até que um certo dia na quinta série este mesmo menino que já até tinha conversado comigo puxou a cadeira quando fui sentar e já viu , cai de bunda no chão e me vi ali parada sem reação, como ele podia ter feito aquilo comigo?
A sala inteira , alguns riam e outros assustados .
Eu me levantei ,limpei a calça na maior calma possível não pensei duas vezes, do jeito que eu peguei a cadeira eu dei nas costas dele, antes dele levantar eu dei um chute nele e saímos naquele dia na porrada mas desta vez eu não era mais inocente eu bati com toda força que saia de dentro de mim e antes de tudo acabar a professora nos pegou e eu já sábia no que ia dar,mas quer saber eu não estava nem aí.
Eu não estava me importando muito não, as pessoas ali já me conheciam, e sabiam que se não mexessem comigo não ia acontecer nada, eu era inofensiva até não mexer comigo.
Descemos para a sala da diretoria e vi que hoje o assunto seria justo, com os dois responsáveis na sala de aula pela briga, porque da outra vez eu paguei sozinha por ter ido para a diretoria e tomar uma suspensão, enquanto o responsável estava na escola e nem aí para o que aconteceu, bom já era um  começo.
Da primeira vez em que fui parar na sala da diretoria eu estava sozinha e tinha sete anos.
Hoje já podia me defender um pouco mais , estava com doze anos, não que eu fosse responsável pelas atitudes , mas não ia ficar assim para sempre.
Então quando a diretora entrou , o Robson já tomou a frente da conversa:
_Então Dona Priscila.
Ela já respondeu em um tom de repreensão;
_Fale quando eu perguntar porque quero ouvir as duas histórias.
Ela olhou para mim e me perguntou o que tinha acontecido.
_Sabe diretora, acho melhor a senhora perguntar para ele, porque diversas vezes tentei explicar e foram em vão as minhas explicações.
Ela se assustou com a resposta, mas fez o que eu sugeri, olhou para o Robson e acenou com as mãos para que ele falasse o que aconteceu em sala de aula.
E ele todo sem graça:
_Então eu nem fiz nada , ela que sentou e caiu fora da cadeira e já veio me dando cadeirada.
Por dentro eu queria voar no pescoço dele de tanto ódio, mas me mantive sentada enquanto ela nos observava:
E continuou:
_ Não é a primeira vez que temos problema com vocês, aliás com você em específico Robson(ainda bem que ela corrigiu a tempo o vocês porque eu só me defendia dos ataques que sofria) , porque a Anna até teve problema, mas como nunca mais ouvi nada a respeito dela então to começando a acreditar que o problema é com você , então como não quer me contar a verdade, vou eu direto na sala e pergunto a verdadeira história, caso ninguém queira entregar a verdade a sala inteira ficará com notas vermelhas.
Nesta época , nota vermelha reprovava mesmo não é como hoje que mesmo você não indo a aula você passa de ano, aquela época tinha que estudar e estudar muito.
Ele ficou todo vermelho e começou a explicar:
_É que sabe o que acontece, eu puxei a cadeira antes dela sentar para ela cair mesmo no chão,mas foi uma brincadeirinha!!!
É engraçado as coisas que faço com ela.

Dona Priscila:
_E você não tem vergonha de dizer isso?

_Tenho sim , mas é muito engraçado ver essa menina entrar e é natural as brincadeiras, e todos os meninos falam dela.
Eu fiquei quieta, só para ver a atitude da diretora.
_Natural?
Você ia gostar de alguém ficar azucrinando a sua vida toda hora, e toda hora te enchendo o saco.Chega uma hora que a pessoa explode, sei que você é uma criança mas não é idiota para saber que ela e nem ninguém gosta deste tipo de brincadeira.

A diretora pediu que eu saísse e voltasse para a aula, e deixou ele lá com ela , provavelmente fosse chamar os pais dele para ele ser mais educado.
Naquele dia em diante sempre tinha algumas pessoas que zombavam mas de fato eu ignorava , mas também respondia, comecei a ficar com a boca suja mesmo, qualquer um que viesse me encher dava logo uma para aprender.
E com isso fui criando uma imagem na escola, digo imagem a ponto de todo mundo ter medo de jogar no nosso time.
Nossa sala foi treinando e juntando umas garotas de Hand Ball que jogavam muito, eram encrenqueiras mas jogavam muito bem nesta época minha mãe já estava morando lá e consequentemente mudei para morar com ela.
E vou dizer que voltar a morar com ela fez com que ela virasse a mãe que ela nunca foi.
Mas não impediu de ser quem eu tinha me tornado naquela escola, alguns tinham medo e muitas vezes que acontecia da escola inteira saber que eu ia brigar e formar um grupo do lado de fora esperando o espetáculo, mesmo que não fosse verdade eu brigava , porque eu sabia que era importante pra mim manter uma fama de encrenqueira , me ajudava a não ser mais humilhada por ninguém.


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